O que fazer em pleno sábado a noite com duas crianças trancadas num chalé de menos de 40 m² quando a temperatura lá fora despencou e as chances de enxergar algo além do seu nariz são mínimas?
Enfie as crianças no carro e saia sem destino, é claro!
Foi isso o que fizemos numa noite como a descrita acima antes que os dois hiperativos impacientes se pendurassem no lustre.
Já em "deslocamento" levantamos as possibilidades das redondezas e tivemos a grata surpresa de acabar em Santana de Parnaíba (pelo caminho mais comprido, pois a ideia era fazer com que as crianças dormissem, o que não funcionou...).
Santana, para quem não conhecia, como eu, faz parte da região metropolitana de São Paulo, na microrregião de Osasco. Para quem sai pela Castello Branco, fica à direita, atrás dos Alphavilles e Tamborés.
É antiquíssima e com uma história muito interessante: em 1580, Suzana Dias, neta do cacique Tibiriçá, juntamente com seu filho, Capitão André Fernandes, funda uma fazenda à beira do rio Anhembi (atual rio Tietê), a oeste de São Paulo, próximo a cachoeira denominada pelos indígenas de "Parnaíba" (lugar de muitas ilhas).
Devido a sua posição estratégica no vale do rio Tietê, torna-se ponto de partida das bandeiras que seguiam rumo ao Oeste Paulista e ao Mato Grosso e em 1625 o povoado é elevado à condição de vila, com a correspondente criação do município. Com o fim das bandeiras o local entrou em declínio, ficando fora das rotas comerciais do próximo século. Em 1901 a construção da Usina Edgard de Sousa não foi suficiente para revitalizar a região que só volta a ficar valorizada com a construção de Alphaville na década de 80.
Seu centro histórico é tombado e bem conservado. Por ali é possível achar restaurantes, lojinhas, ateliers e na pracinha da igreja do século XIX o coreto dá o charme extra do lugar.
Fomos ao Bartolomeu, que serve porções, fondues e outras especialidades e ai no centro histórico mesmo é possível achar caminhando outras opções.
Quem estiver por lá de dia pode aproveitar e passar na Duo Patisserie, de propriedade de duas queridas amigas, e sair de lá com água na boca com tantas delícias!
No fim das contas saímos para acalmar os ânimos das crias e acabamos fazendo uma incursão na São Paulo antiga que muitos de nós sequer lembra que existe.
Ganhamos o dia!