Até
empacotar a vida toda que estava espalhada pela pousada, já somava quase 11 da
manhã quando nos despedimos de São Pedro. Em vez de fazer a rota padrão de São
Pedro para Calama e então Antofagasta, resolvemos fazer uma rota menos óbvia e
cruzar o Salar pela parte sul a caminho do mar, com uns poucos oásis perdidos à
beira da estrada.
Um
coadjuvante bastante peculiar no deserto são as placas e sinais pelo caminho. É
assim que descobrimos o número de habitantes de um determinado vilarejo e a
altitude em que ele se encontra, dentre outros detalhes pitorescos. Foi assim
que conseguimos descobrir que o vilarejo de Peine tinha pouco mais de 400
habitantes.
Ali há,
além do salar que cerca o lugar, uma formação rochosa que resulta em uma
piscina natural de águas transparentes (e alguma sujeira no fundo, pois a
comunidade usa o lugar para churrascos de domingo, como pudemos presenciar).
O
percurso cruzando o Salar e as minas de cobre pelo caminho foi o maior feito
até então. O que se pode dizer de um percurso cruzando o deserto? A areia muda
de cor, mas é, ainda assim, areia. Não se vê vida animal, vegetal ou humana até
onde os olhos conseguem enxergar, e há horas de distância entre o contato com
um lugar habitado e outro. No meio, somente o nada, que em algumas horas acalma
e em outras desespera.
Uma única
parada estratégica num vilarejo a caminho de Antofagasta e alguns sorvetes
depois foi com grande alívio que em duas horas, lá pelas 6 da tarde, enxergamos
o mar. Ao invés de rumar diretamente para Antofagasta, resolvemos seguir para
Mejillones, um balneário 65 km mais ao norte. Mal lembramos que era fim de
domingo, pós feriado de ano novo, e não se via nada aberto na cidade, além do
posto de gasolina e do banheiro público, sempre a 200 pesos por cabeça.








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