Não eram
7 da manhã e todo o circo do Dakar já estava funcionando para a largada de
motos, quadris, carros e caminhões a alguns quilômetros dali.
Tivemos
tempo de conversar com os brasileiros e ver de perto os pilotos gringos dos
carros que já se enfileiravam para a largada. Uma coisa que muito nos
impressionou foi a cobertura completa da Fox Sports chilena.
Enquanto
os brasileiros eram vencidos um a um pela crueza do deserto, no Brasil, na
maior parte da mídia não especializada do país só se falava da troca do técnico
do 15 de Piracicaba e do novo corte de cabelo do Ronaldo. Novamente, impossível
não falar dos banheiros públicos... Digo, a céu aberto. Alguma coisa no
refeitório da Sodexo no bivoac (o nome usado para o acampamento oficial) não
caiu bem aquele dia, pois por todo lado sumiam pilotos atrás das dunas, carros
ou qualquer barreira de um lado só que desse um mínimo de privacidade.
A segunda
parte da prova assistimos de Quillagua, literalmente um Oasis no meio do
deserto e o maior calor que passamos desde o começo da viagem. Nenhum protetor
solar resolvia a ardência com que o sol queimava a pele, o que me fez entender
o esquema de roupas em excesso, e não em falta, dos nômades do deserto. Não dá
pra deixar nada descoberto. Vencidos pelo sol, passamos no único boteco da
região para tomar qualquer coisa que fosse gelada e qualquer coisa que fosse de
comer (note-se que a gente deixa de ser seletivo em algum momento da vida no
deserto) pra ver a Glória Menezes e a Patrícia Pillar debatendo em bom
castelhano dublado em plena televisão chilena. Me ofereci pra contar o final da
história que eu nem assisti para o senhor da vendinha, mas ele não ficou muito
feliz quando eu disse que a vilã só pagaria seus pecados no último capítulo.
Uma coisa importante que aprendemos depois do nono erro (aqui novamente) é que
as garrafas de água de tampa vermelha são sem gás e as de tampa azul são com
gás, o exato oposto do Brasil, o que nos concedeu mais uma garrafa d’água com
gás que não mata a sede como a outra de jeito nenhum.
Como não
conseguiríamos chegar em Iquique e voltar a tempo de pegar nosso ônibus para
Calama na manhã seguinte, acabamos voltando para Tocopilla, uma cidade (não sei
se se encaixa bem na descrição) portuária de pouquíssimas opções de hospedagens
razoáveis, e que ainda tivemos que disputar com 6 cinegrafistas croatas. Assim
acabamos num hotel ruim pacas, comendo um peixe frito no mercado municipal, o
que nos pareceu a opção mais segura, mas ainda assim regado a cerveja para
matar o que viesse junto e fazer backup das fotos antes de cair de cansaço na
cama. Uma coisa não dá pra reclamar: até o hotelzinho mais mequetrefe do
interior do Chile tem internet wi-fi e TV a cabo!





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