quarta-feira, 25 de julho de 2012

Expedição Jalapão – dia 4


19/07/2012

Mateiros, Dunas e o Rio Novo

Um pouco mais ruidosa talvez, pois as 4 e tanto da manhã acordamos com dois fortes estampidos secos na lataria do carro. Se não era gente, era bicho. Se não era bicho, pior, era a estrutura da barraca. E se não era nenhum dos três, difícil seria saber o que era... Marido passou a mão na lanterna e junto com o Fábio, nosso vizinho de barraca, procuraram, procuraram e não encontraram nada... Sem opção melhor que dormir novamente, voltamos pra toca até o dia amanhecer dali uma hora pra começarmos a desmontar o acampamento.
Nos demoramos a terminar de guardar o circo enquanto a família novamente assistia ao nosso show particular. Agradecemos a hospitalidade e simpatia, demos o último mergulho no “Rio Cosquinha” e seguimos rumo a Mateiros, a principal cidade dentro do Jalapão.
Peixes do fervedouro, água transparente
As pousadas mais estruturadas ficam ali, e se você quer viajar sem dispensar ar condicionado, internet wireless, piscina e cama confortável, aqui é o seu lugar! Há três opções melhores que nos foram indicadas: a Panela de Ferro, a Santa Helena e a VeredaTropical.
Tudo isso quem contou foi D. Altair, dona da sorveteria Oásis, onde consumimos pelo menos 3 sorvetes cada um, desde o limão básico até frutas típicas do cerrado, como a cagaita, cujo nome é autoexplicativo se consumida em excesso... Ela disse que já sabia que viríamos do Lino, pois tinham adiantado pra ela que ali tinha um grupo grande parado. Com 2.500 habitantes, anonimato é uma palavra que não existe em Mateiros.
Mateiros
Almoçamos no restaurante da D. Rosa, na quadra seguinte da sorveteria, onde a própria cozinha no fundo da casa uma comidinha caprichada pra matar a fome do retirante mais faminto. Ali no município também fica a associação dos artesãos do capim dourado, onde todos os artesãos da região têm peças e é possível ver junto com o papel do preço o nome do artista que produziu a peça para que o repasse seja direcionado.
Esperamos a leseira do almoço a 40 graus diminuir novamente com altas doses de sorvete e seguimos rumo às Dunas do Jalapão, um dos cenários mais típicos e divulgados quando se fala da região. 
De Mateiros são 30 km, passando pela sede administrativa do parque, e entrando mais 5 km de areia fofa depois de deixar seu nome e contribuição na entrada para as Dunas. Carros não entram até o local das dunas, mas a caminhada é curta. Uns 300 mts, mais ou menos. Mas a vista é tão bonita que compensa cada pedacinho da trilha, inclusive da subida até o topo da duna. 
Só não esqueça o repelente, pois as mutucas não costumam dar trégua, mesmo lá em cima. Os guias dizem que o melhor horário é o entardecer, mas ainda tínhamos que achar pouso pra noite, então fomos um pouco mais cedo. Independente do horário, a vista é absolutamente espetacular e é provável que você se pegue tirando dezenas de fotos para tentar capturar a sensação que é estar ali em cima, vendo o cerrado contrastar com a areia amarela das dunas, em contraste com a areia branca do restante da paisagem, as serras, o céu azul de brigadeiro... É simplesmente de tirar o fôlego e foto nenhuma faz jus a estar ali pessoalmente, no calor da areia, com o vento no rosto.
Mas tudo que sobe tem que descer e lá fomos nós e os pequenos exploradores. A ideia original era chegar até a Cachoeira da Velha, mas a estrada neste trecho começa a ficar mais pesada, então escolhemos por prudência apenas cruzar o Rio Novo e dormir no camping do Seu Antônio, à beira do rio, em torno de 35 km pra frente das Dunas e mais 9 km à direita após a placa do camping.
Já tínhamos sido avisados pra negociar tudo com antecedência pra não levar um susto na saída. Pode ser que o preço varie de acordo com “a cara do freguês”, mas para nós o que foi passado foi R$ 120 para o chalé com banheiro, porém sem luz, R$ 10 o camping, mas R$ 5 a taxa de uso do banheiro e mais R$ 4 a mais pela hora do gerador depois das 9 da noite. A água do “chuveiro” é encanada do rio e a casinha não é das mais acolhedoras, mas dá pro gasto. O mesmo vale pros sanitários. O engraçado foi que a sensação geral do grupo foi mais de estranheza que de alívio, depois de passar os últimos 4 dias à beira do rio e dormindo sob as estrelas, ao encontrar a estrutura precária do camping.
Eu pessoalmente senti falta das estrelas encobertas pelas árvores, que juntas traziam mais um bando de muriçocas quase imperceptíveis no tamanho, mas com uma picada memorável! Jantamos estrogonofe regado a Johnny Walker Black, muito sofisticado, no bangalô negociado por mais R$ 30. 
Nesta noite os violões saíram da mala pela última vez pra encobrir a tristeza que começou a dar as caras com o final da viagem se aproximando no dia seguinte.








2 comentários:

  1. Coni, achei lindo o artesanato do capim dourado, que já conheci pessoalmente em alguma das minhas viagens que no momento não me lembro onde ... mas odiei a parte do bando das muriçocas que também já enfrentei em alguns lugares que estive ... Ainda bem que com o tempo a gente esquece destes detalhes desagradáveis e só ficam as boas lembranças da viagem ...

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  2. É só as picadas sumirem que a gente já está com outra viagem na cabeça!! ;-)

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