20/07/2012
Cachoeira da Velha,
Ponte Alta e o que ficou pelo caminho
Acordamos com gosto de último dia.
As crianças foram cedo pra beira do rio perseguir os
lambaris e piaus que se juntavam aos montes em volta das pernas na água
cristalina, o que parece ser uma constante na região.
Desmontamos o último acampamento pra maioria do grupo que se
repartiria no final do dia entre os que poderiam ficar mais um dia e os que
teriam que voltar de qualquer maneira.
As crianças fizeram a gravação do último “programa do
Jalapão” contando das aventuras, dos programas favoritos e mais mil histórias
que inventaram ali na hora pra entreter eles mesmos além dos peixes...
Seguimos para a cachoeira da Velha, outros 60 km pra frente
depois de voltar do camping para a estrada principal.
No entroncamento pra cachoeira encontramos a Rejane, da administração
do parque, que havia conversado com o Wilson, parte do nosso grupo, antes da
nossa chegada e que havia explicado sobre as particularidades e autorizações
necessárias para transitar e passear ali, já que em alguns lugares só se pode
entrar com guia cadastrado. Eles voltavam de uma “batida” à cachoeira da Velha
onde um grupo havia acampado em um local proibido. O que se percebe é que
apesar das dimensões do parque, tudo é bem organizado e fiscalizado, em
comparação com o “padrão brasileiro” de fiscalização.
Depois de uma estrada capaz de deixar metade das peças do
seu carro pra trás e a vista dos primeiros animais do cerrado, um grupo de emas
correndo assustadas com a aproximação dos carros, chegamos à entrada da
cachoeira. Ali encontramos o Guilherme, que nos explicou sobre o local, antiga
propriedade do traficante Pablo Escobar, com 460 hectares, e tomada pelo
governo estadual em 82. Depois de muitos anos sem uso, foi há pouco tempo
estruturada uma sede para receber acampantes e orientar visitantes da Velha,
onde não se pode mais acampar. Também nos contou que a cachoeira leva este nome
porque diz a lenda que ali morou uma mulher sozinha, que ali envelheceu e
morreu às margens da cachoeira. O corpo nunca foi achado, por isso não se sabe
a veracidade da história, mas na região todos tomam como verdadeira.
Até a queda d’água há uma passarela de madeira sob a qual se
vê aqui e ali brotar o capim dourado. A água é abundante e a vista é linda,
realmente linda, com uma trilha que vai dali até a prainha do Rio Novo, cerca
de 1 km de caminhada, mas a trilha estava fechada e os barrancos são
desprotegidos então toda atenção com crianças é pouco, o que nos levou dali
rapidinho para a prainha.
A prainha do Rio Novo é ponto e chegada do pessoal que
pratica rafting no Rio Novo, tem uma extensa faixa de areia e muitos grupos que
ali aportam pra fazer piquenique e nadar nas águas refrescantes pro dia
escaldante. Nosso último mergulho de água doce...
Deste ponto 5 carros partiriam de volta pra casa, o nosso
inclusive, e outros 3 ficariam mais um dia pra cobrir a parte que não
conseguimos terminar de ver: o canion Sussuapara, a cachoeira do Lajeado, a
Pedra Furada e Natividade, cidade histórica ao sul do Jalapão.
Seguimos para Ponte Alta, cidade de boa estrutura na entrada
ou saída do Jalapão, dependendo de onde se está vindo. Abastecemos e tiramos
uns 5 dos 10 kgs de pó que cobriam os carros, além do corpo e da alma, o que
comprovamos mais tarde na toalha do hotel...

Decidimos por adiantar o máximo possível o caminho, indo
para Porto Nacional e dormindo em Gurupi, já que teríamos dois dias até chegar
efetivamente em casa. Nos despedimos da paisagem linda do Jalapão com o vento
ainda quente batendo no rosto e a empolgação de uma criança que acabou de sair
de uma montanha russa. O sol foi finalmente embora enquanto ainda cruzávamos a
ponte sobre o rio Tocantins, nos deixando essa imagem maravilhosa pra coroar
uma semana indescritível, apesar de todas as tentativas.
Mais cedo, à beira do Rio Novo, no acampamento, a Maria
Clara havia nos agradecido pelas melhores férias da vida dela! Eu espero
realmente que ela possa guardar cada momento lindo desta viagem na memória, tão
novinha ainda. Mas caso ela não lembre, caso o tempo e a distância encubram os
dias de sol, calor, brincadeiras, amizades no coração do Brasil, então este
relato terá servido o seu propósito: eternizar este momento!





Coni, também gostei muito de saber que há fiscalização para "usar" a região. Como vc diz, é meio incomum para os padrões brasileiros ... Enfim, mais uma prova de que precisamos nos aventurar mundo afora para saber realmente da realidade de onde vivemos ...
ResponderExcluirPois é, e depois conversando com uma amiga que trabalhou nos projetos de lá, ela confirmou este trabalho de fiscalização que vem sendo desenvolvido na região. Bom saber, né?!
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