segunda-feira, 16 de julho de 2012

Expedição Jalapão: etapa Franca – Goiânia


Rumo ao sol
Eram 11 da manhã quando finalmente estávamos prontos e carregados (de sapatos, inclusive) pro próximo trecho rumo ao norte.

Nos idos dos anos 80, minha tia morava em Goiânia e algumas férias de julho foram passadas por lá, com o encantamento de levar o biquíni na mala, coisa impensável no sul do país para esta época do ano. A feira hippie, o Jaó, o zoológico e é claro, o calor, eram excelentes lembranças de infância!
No carro, uma prancheta, papéis, canetinhas, quebra-cabeças e um estoque razoável de filmes pareciam estar dando conta do recado de deixar uma menina de 4 anos, quase 5, presa por tantas horas até o momento.
Cruzamos Minas pelo oeste e em Uberlândia a Maria Clara foi batizada com a primeira comida apimentada da vida dela, enquanto gritava “minha gargantaaaaa, minha gargantaaa!!!”. Quem coloca pimenta (muita pimenta!) no feijão de self-service, caramba?? Depois de apagar o fogo com altas doses de coca-cola, ela acabou por ganhar de cortesia um macarrão pra substituir o arroz-feijão dos infernos e um sorvete de consolação.
Logo em seguida cruzamos o rio Paranaíba em Itumbiara para entrar em Goiás, agora a um estado de distância do nosso destino, com a mocinha apagada no banco de trás enquanto no rádio Grace Jones cantarolava uma versão bonitinha e modernizada de La vie en Rose. É, Grace... hoje ela é rosa, com tons de céu azul e muito verde!
Entramos em Goiânia com o pôr-do-sol e agraciados pelo voo das araras azuis e amarelas que cruzavam a estrada. A Maria Clara, que dormia desde Uberlândia, não viu, senão teria alardeado “Rio!!!”. Tanto melhor para Goiânia, que não mereceria esta desfeita...
Ali encontramos os outros sete carros que fariam nossa até então “expedicinha” virar uma verdadeira expedição. Agora seríamos 8 carros, 16 adultos, 3 crianças e um cachorro! Isso mesmo, um cachorro!

Cansados, porém felizes com o calor, comemos próximo ao hotel e caímos cedo na cama, pois o dia seguinte reservaria quase 1.000 km de estrada pela frente, a começar às 5 da manhã. Peguei no sono conversando ainda com os exageros do jantar. 
Ah, se eu soubesse...

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