Rumo ao sol
Eram 11 da manhã quando finalmente estávamos prontos e
carregados (de sapatos, inclusive) pro próximo trecho rumo ao norte.
Nos idos dos anos 80, minha tia morava em Goiânia e algumas
férias de julho foram passadas por lá, com o encantamento de levar o biquíni na
mala, coisa impensável no sul do país para esta época do ano. A feira hippie, o
Jaó, o zoológico e é claro, o calor, eram excelentes lembranças de infância!
No carro, uma prancheta, papéis, canetinhas, quebra-cabeças
e um estoque razoável de filmes pareciam estar dando conta do recado de deixar
uma menina de 4 anos, quase 5, presa por tantas horas até o momento.
Cruzamos Minas pelo oeste e em Uberlândia a Maria Clara foi
batizada com a primeira comida apimentada da vida dela, enquanto gritava “minha
gargantaaaaa, minha gargantaaa!!!”. Quem coloca pimenta (muita pimenta!) no
feijão de self-service, caramba?? Depois de apagar o fogo com altas doses de
coca-cola, ela acabou por ganhar de cortesia um macarrão pra substituir o
arroz-feijão dos infernos e um sorvete de consolação.
Logo em seguida cruzamos o rio Paranaíba em Itumbiara para
entrar em Goiás, agora a um estado de distância do nosso destino, com a mocinha
apagada no banco de trás enquanto no rádio Grace Jones cantarolava uma versão
bonitinha e modernizada de La vie en Rose.
É, Grace... hoje ela é rosa, com tons de céu azul e muito verde!
Entramos em Goiânia com o pôr-do-sol e agraciados pelo voo
das araras azuis e amarelas que cruzavam a estrada. A Maria Clara, que dormia
desde Uberlândia, não viu, senão teria alardeado “Rio!!!”. Tanto melhor para
Goiânia, que não mereceria esta desfeita...
Ali encontramos os outros sete carros que fariam nossa até
então “expedicinha” virar uma verdadeira expedição. Agora seríamos 8 carros, 16
adultos, 3 crianças e um cachorro! Isso mesmo, um cachorro!
Cansados, porém felizes com o calor, comemos próximo ao
hotel e caímos cedo na cama, pois o dia seguinte reservaria quase 1.000 km de
estrada pela frente, a começar às 5 da manhã. Peguei no sono conversando ainda com os exageros do jantar.
Ah, se eu soubesse...


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