29 de junho de 2012
O sol raia relativamente cedo na Bahia, mas a palavra mágica
foi realmente SOL, fosse qual horário fosse.
Descobrimos ser os únicos hóspedes da Pousada e por isso o
café da manhã, farto e delicioso, acabou sendo montado na nossa própria mesa, à
beira da piscina, com vista para a mata e o mar ao fundo. Podia sentir as
camadas de urbanidade despregando da pele a cada rajada de brisa e sol.
vista da praia abaixo do Quadrado
Aproveitamos o dia bonito (e a barriga cheia) pra zanzar a
pé até a praia que fica logo abaixo do Quadrado. Meia dúzia de gatos pingados,
uns três cachorros e os caranguejos do mangue que se atravessa por sobre um
caminho rústico para chegar até ali. Deve soar estranho pra muita gente, mas eu
prezo muito o silêncio, a paz, o meio do mato, barulho de mar e de cachoeira.
Considerando que eu moro em rota de aeroporto, com aviões a cada 5
minutos voando sobre a minha cabeça, a não ser que eu vá pra algum destino
histórico ou um grande centro propositadamente, o que eu menos quero ver quando
eu viajo pra descansar é gente e barulho.
Por outro lado o “dolce
far niente” não nos é algo muito natural, portanto, mesmo no meio do mato,
não é preciso muito pra que procuremos alguma sarna pra nos coçar. Foi assim
que rumamos de volta pro hotel pra enfrentar os 38 km de estrada que separam
Trancoso de Caraíva. Estrada de chão, como dizem, o bravo Uno mile resistindo
aos nossos ímpetos sertanistas de desbravar o sul da Bahia...
O sol agora saía e voltava pra detrás das nuvens que vinham
do mar. Com este tempo meio abre-meio fecha chegamos ao rio que separa Caraíva
(a qual meu esposo Papa-capim insistia em chamar de Caraíba) pra entender que
ali só se cruzava de barco até o outro lado.
Confesso que chegamos ali como
quase tudo que costumamos visitar, ao acaso, sem saber ao certo o que encontraríamos
do outro lado, sem saber direito se seria uma furada. E qual não foi a nossa
grata surpresa ao encontrar uma praia linda, com poucas casas e a Casa da
Praia, um misto de restaurante e pousada, em um ponto estratégico pra “bundar”
o pouco tempo que conseguimos parar quietos no mesmo lugar.
Faço um parênteses para dizer que na ida em BH achei
Gabriela Cravo e Canela, que levei comigo por onde fosse pra ampliar minha
experiência baiana em todos os sentidos com a ajuda muito bem-vinda de Jorge
Amado. Quem melhor para descrever a terrinha que o próprio?
Com Jorge fiquei até cruzarmos de volta o caminho do rio,
com uma gamela e algumas colheres compradas dos índios que vivem pela região e
que são responsáveis pelo artesanato local, mas não sem antes visitar a Vila
(ou seria povoado?) muito pequena, porém charmosa.
Na volta, a passagem pela aldeia indígena com crianças
travestidas tipicamente e adolescentes ouvindo rap no celular me fez meditar o
resto do caminho sobre a miscigenação das culturas, o quanto ganhamos e quanto
perdemos com isso...
Ainda sobrou tempo (ah, como é difícil o ócio...) para uma
boa caminhada na praia dos Nativos ao pôr-do-sol antes de enchermos o estômago
de alegria com os pratos e sucos deliciosos do Capim Santo, o original, que
também é pousada.
Dormi em seguida e sem muito esforço, marido que me desculpe, com Jorge e sua Gabriela.






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