Impressões e
depressões
Eu devia ter escolhido melhor minhas palavras porque algo em
torno de 1:30 e 4:30 da manhã houve uma batalha incessante entre meu estômago e
meu jantar, da qual o estômago foi vencedor, deixando meu jantar em Goiânia.
Quando amanheceu, 6:30 da manhã, já estávamos na rodovia
fazia tempo.
A BR 053, Belém-Brasília, é um capítulo a parte. Um capítulo ruim,
principalmente na parte de Goiás. Estrada de pista simples, com trânsito pesado
de caminhões, pouca sinalização e nenhuma fiscalização, facilitando a
embriaguez e direção, a imprudência nas ultrapassagens e a falta de cortesia
dos motoristas de todas as categorias, que não diminuem a velocidade nem dão
passagem a carros em ultrapassagem. Uma tristeza que acabou resultando no testemunho
de um acidente grave com vítimas, dentre as quais uma menina pequena estendida
na beira da estrada, o que nos chocou e abalou pelo resto do caminho, ainda que
soubéssemos depois que ela havia sobrevivido. A notificação à Polícia feita
pelo nosso grupo resultou na chegada do socorro, ainda que bem mais de 30
minutos do chamado. O problema é que as longas distâncias aliadas às condições
precárias só reforça a ideia que o modelo rodoviário que temos é ineficaz e
deve ser repensado, seja através da privatização ou maior investimento, já que
o transporte rodoviário é alardeado como o pilar motor da economia do país.
Digressões à parte, cruzamos a
fronteira entre Goiás e Tocantins apenas às 13:30, 8 horas e ½ da nossa saída,
e com muito chão pela frente. Conforme a fronteira se aproxima (a qual se pode
notar apenas por um posto de fiscalização pequeno e uma placa muito discreta,
além do areião típico destas paragens) as opções de abastecimento pessoal e
combustível vão rareando, por isso a contemplação do posto do grupo Décio
depois de quase 700 km de estrada é quase como encontrar um oásis no deserto.
Um deserto quente pra dedéu!
Talvez por um lapso educacional ou falta de atenção pura e
simples, desde a divisão de Goiás e Tocantins nunca havia me atentado para o
fato do Tocantins pertencer à região norte do país, e não centro-oeste. Assim,
em 3 dias, 2 para o resto do grupo, havíamos percorrido 4 das 5 regiões
brasileiras e estávamos agora com a fronteira com Mato Grosso e Pará ao leste e
a fronteira com Maranhão, Piauí e Bahia ao Leste. Em outros lugares do mundo
talvez já estivéssemos a três países de distância de casa...
A paisagem linda e as besteiradas pelo rádio amador
amenizaram a etapa final, aquela que faz a viagem parecer nunca acabar.
Chegar a Palmas foi mais que um alívio depois de tanto chão,
e apesar do ar condicionado do carro ter nos deixado na mão e se transformado
num ventiladorzinho de brinquedo de criança, estávamos com o corpo cansado e a
cabeça leve.
Palmas é uma cidade organizada e planejada, cujas ruas mais
parecem referências de um jogo de batalha naval (é verdade, eu nunca estive em
Brasília...).
A Pousada dos Girassóis foi nosso último pouso “civilizado”
e o pirarucu na beira da lagoa a última refeição de boteco antes que eu começasse
a “pescar” de exaustão na Praia da Graciosa, à beira do Lago de Palmas. Lugar
lindo, calor de 32 graus lá pelas tantas da noite, o que facilitava a tal
pescaria...
As crianças, que passaram o dia presas no carro entre uma
parada e outra, corriam de um lado pro outro menos preocupadas com a refeição
que com a diversão, garantida pelo espaço amplo e um pula-pula providencial.
É verão no Tocantins e nós viemos dispostos a aproveitar
cada raio de sol!!




Sempre que eu vou para comer, eu sinto que é necessário para ter fotos com paisagens como estes para que possa atingir uma noite agradável espero continuar a jogar como eles fazem no restaurantes em alphaville.
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