16/07/2012
Rumo ao deserto
O Tocantins é um estado bastante
jovem, apesar das lutas pela emancipação do estado de Goiás datarem do século
XIX. O motivo era simples: com a capital ao sul e as diferenças culturais, o
norte longínquo acabava esquecido e mal assistido. Com a emancipação vinda com
a Constituição de 88 e a fundação de Palmas para ser a capital do estado, bem
ao centro e proporcionalmente distante da maior parte das regiões do estado, o
Tocantins floresceu como o girassol que é seu símbolo.
Um parênteses especial para o
povo de Palmas, simpático, solícito, extremamente acolhedor. É verdade que há
muitos paranaenses entre os primeiros imigrantes da região (hehe), mas saímos
para viajar com uma série de dicas novas, graças à abordagem voluntária de
muitas pessoas que viam os carros adesivados e a turma uniformizada. Com
exceção do sujeito que perguntou para um dos casais se eles iam para o Japão os demais acrescentaram e muito ao
restante do trajeto!
Comprados os perecíveis e
abastecidos de combustível, estávamos prontos para partir.
Uma particularidade que notamos
desde Palmas, foi o costume também nesta região de comer carne de sol. Na falta
de energia pra manter geladeiras e produtos refrigerados, é o que tem pra hoje.
A carne fica pendurada ao sol dentro de uma estrutura de madeira cercada de
tela pra evitar mosquitos, mas só eles, pois a poeira é inevitável na região
seja para as carnes, para os carros ou mesmo para nós escondidos dentro deles.
Mais pra frente encontramos métodos mais rústicos ainda de secagem, que
consiste na dieta da maior parte das famílias da região. Não sabemos dizer o
motivo, mas em nenhuma das comunidades ou cidades onde estivemos vimos criação
de porcos ou mesmo a opção de pratos suínos no cardápio.
Já era passado das 13 quando
deixamos Palmas rumo ao Jalapão. A princípio iríamos até Aparecida, 70 km a
frente seguindo para Novo Acordo, mais 48 km, mas decidimos rumar para São
Felix, outros 150 km a frente, a maior parte dele de terra.
O caminho é tão lindo que por um
tempo é possível esquecer que exista qualquer coisa além daquilo. A sensação é
realmente de maravilha com as paisagens indescritíveis que vamos encontrando no
trajeto.
Infelizmente o final do dia
chegou antes que chegássemos ao destino e por uma questão de segurança
decidimos parar e acampar a beira do Rio do Sono, no posto de fiscalização
animal e vegetal, 50 km antes do destino.
E a noite não nos brindou com
nada menos que um tapete forrado de estrelas!!
No acampamento a primeira
providência foi instalar o gerador, uma regalia sem a qual poderíamos ter
passado, mas que facilita muito fazer comida pra 20 pessoas, pois o sol já
fugia rápido e as instalações ainda precisavam ser montadas.
Barracas de chão, de teto, uma
cozinha com fogão, chapa de disco de arado pra dourar a carne, e até um
semi-teto pra nos cobrir, 3 lâmpadas na área central e o resto à base de
lanternas várias.
Para as crianças, mas em especial
pra Maria Clara que se aventurava pela primeira vez conosco, levei o banheiro
particular dela: um balde comum com redutor de assento infantil, com um pouco
de água, e tcharãããã: um ultramoderno e prático banheiro Tabajara! Ela gostou
tanto do badulaque que queria de todo jeito chamar as outras crianças pra ver a
novidade sendo usada!!!
A grata surpresa foi descobrir
que depois de um dia de calor escaldante, o rio de águas mornas ao final do
acampamento era tão transparente que se via os peixes mesmo à noite. Algumas
pessoas adiantaram o banho e os demais adiantavam a preparação do jantar –
churrasco com salada de couve, tomate e cenoura (ou qualquer outra coisa que já
estivesse estragando na bagagem) e farofa vegetariana.
Comemos, conversamos, enquanto as
crianças brincavam com os baldinhos de areia (afinal, para todos eles, se você
vai para o deserto, você DEVE levar um baldinho de areia, como não?!!). Tocamos
viola e dormimos logo em seguida ao barulho dos... roncos!!! Muitos, vários,
para você que esperava ler algo como “os grilinhos e cigarras”... Na verdade,
foram tão em uníssono que chegamos à conclusão que nenhum animal mais
engraçadinho se disporia a invadir nosso acampamento com tanto barulho assim
madrugada afora...
Maria Clara foi dormir
agradecendo ao anjinho da guarda pela noite na barraca e pelo tio Gordinho ter
sido o único infelizmente picado por um marimbondo e mais ninguém!





Coni, adorei o esquema da telinha em volta da carne de sol, porque quando participei do Projeto Rondon no RN não havia esta engenhoca, não! Era a céu aberto, mesmo! E a gente comia ... fazer o que?!?!
ResponderExcluirHahaha, sem telinha acho que eu não encaro, hein?! É claro que tudo depende das circunstâncias...
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