18/07/2012
Mumbuca, Formiga e
redondezas
Acordamos cedo, com a ideia de
rumar após o café da manhã para a Cachoeira do Formiga (rio Formiga e não
inseto, rs), uma queda d’água que acaba em uma piscina mais transparente que a sua
garrafa de água mineral.
Porém decidimos primeiramente
resolver a questão dos materiais para as comunidades e rumamos para Mumbuca,
uma comunidade que por si só renderia um livro. Ali fomos instruídos de
procurar D. Laurita, a líder comunitária, para falar sobre os materiais que
trouxemos e deixar os recados da Leo. Porém como ela não estava, acabamos
encontrando duas outras representantes, D. Santinha e Josi, que começaram a nos
explicar um pouco sobre o lugar até D. Laurita chegar.
Procurando nos registros
turísticos você verá que o Mumbuca é um antigo povoado quilombola, mas isto é
um resumo muito pequeno da história que D. Santinha, D. Laurita e a Márcia,
agente de saúde do povoado, me contaram e que tento reproduzir o mais fielmente
possível: o primeiro negro fugido da Bahia a chegar por aquelas bandas foi o
bisavô de D. Laurita, em 1805. Lá ele encontrou uma tribo indígena, onde
conheceu a esposa, índia, com quem começaria a “povoar” o lugar. Negros,
índios e brancos foram se misturando, e hoje, nas palavras de D. Laurita, há
gente de todos os tons de cores e tipos de cabelo vivendo ali, totalizando os
cerca de 160 habitantes locais, todos parentes, todos próximos, incluindo até a última criança, o que pode ser visto na árvore genealógica na lojinha de artesanato.
O ouro de Mumbuca é o Capim
Dourado e o capricho na execução das peças feitas com o material, e costurado com a seda do buriti, dispensa
qualquer apelo comercial. A comunidade é carente, sim, há falta de recursos
diversos como eles mesmos ressaltaram, mas a beleza está no coração, na
simpatia das pessoas e na riqueza das peças de capim dourado. Difícil é não
querer levar tudo, mas como eu já tinha arrecadado quase toda a produção da D.
Diva no nosso acampamento e precisava fazer os registros históricos, me contive e deixei com que o resto da expedição, de quem eu havia privado a
produção do dia anterior, pudesse aproveitar as compras.
Aproveitei a presença
providencial de um orelhão para ligar para casa e ver se estava tudo bem com o
filhote. Na fila acabei me sentando ao lado de D. Laurentina, uma das
matriarcas do povoado, cuja liderança é majoritariamente feminina, completamente
lúcida dentre seus 88 anos, poucos dentes na boca que eu houvesse constatado, e
uma curiosidade de menina, perguntando o que tanto eu escrevia no caderninho
que eu carregava comigo.
Só a deixei para ligar pra casa e
saber o que eu já imaginava: filhote ótimo e um frio desanimador de voltar pra
casa, frente aos 35° C médios da região.
A simpatia, solicitude,
acolhimento das pessoas dali, nos servindo café e apresentando as crianças
cantando na nossa saída, é algo difícil de superar e apesar de termos levado
donativos para as crianças, quem acabou saindo de lá com uma sensação de
gratidão imensa fomos nós mesmos.
O que constatei aos poucos,
conforme os dias e as cidades passavam é que há sinal de celular em todas as
cidades da região, porém muitas vezes só pega Vivo, o que representa para os
assinantes de outras operadoras um roaming tão caro quanto a gasolina,
modicamente vendida a R$ 3,50.
Dali partimos para a Cachoeira do
Formiga finalmente, para refrescar os miolos, porém além disso descobrimos que
estávamos entrando na rota CVC do cerrado. Há muitas agências de turismo
ecológico e muitos turistas, alguns nem tão turistas assim, como biólogos e
engenheiros florestais que encontramos por ali. O lugar é realmente lindo e
acabamos fazendo nosso piquenique de almoço ali, apesar de ser possível
encomendar uma galinha caipira numa casa ali ao lado para saborear ao fim do banho
delicioso de cachoeira.
Não podíamos fechar o passeio pela região sem visitar o Fervedouro principal, na mesma estrada da Mumbuca, onde se chega a outra piscina de água morna e água branca cercada por um bananal, uma cena realmente fascinante, onde as crianças brincaram tão ensandecidamente que julgávamos que eles não chegariam acordados à próxima pedrinha no caminho.
A galinha capira que fugira do prato do almoço apareceu na panela do jantar, já de volta aos Buritis, onde tive a oportunidade de conversar mais tempo com a filha do Sr. Lino, que me contou um pouco mais sobre o local. O fervedouro, agora apelidado pelas crianças de "rio Cosquinha" por conta das bolhas de ar que sobem da areia, foi nossa Jacuzzi por três dias, e a noite após esvaziar os pratos cheios pela fome, o sono veio cedo e foi tão ruidoso quanto as noites anteriores...





Eita CVC, está em todos os cantos "do mundo"! Acho bom não ...
ResponderExcluirO "CVC" na verdade é modo de dizer. É que ali só de x4, mas tem muitos grupos como o nosso andando por ali, e onde só cabem 6 de cada vez num fervedouro, vira uma fila...
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